À minha Mary eterna



 Há um bom tempo, conheci uma menina vulgar, linda e extremamente doida. Talvez, no fundo, eu só quisesse ser um pouco como ela ou talvez totalmente. Ela me fazia segura, era uma parte de mim, ela me protegia, era um refúgio mas ela se foi, como uma outra parte minha que se foi há um tempo. Essa menina era extremamente pirada, tinha tanto dinheiro mas o que era dela, era de todo mundo, na verdade ela nunca se importou com bens materiais, nunca fez questão das suas coisas, tinha um quarto imenso, uma cama confortável mas preferia dormir no chão forrado com um pano surrado vendo as estrelas no céu. Ela não se preocupava com nada, tinha uma alma boa, eu sei que tinha. Era humilde, toda hora alegre e subliminar, tinha um sorriso sincero e seus olhos apesar de claros refletiam a escuridão que ela carregava em si, as suas escolhas erradas eram refletidas naqueles olhos variantes de azul e verde.
Seus cabelos a principio eram castanhos, depois foram loiros e um tom de azul marinho, já os deixou curtos, teve seus dreads e depois voltou com o seu clássico azul marinho, sua diversidade, sua necessidade em mudar constantemente me deixava louca, sua voz ora fina e ora grossa demais faziam eu me sentir tão confortável... Ainda não caiu a ficha, ainda não consigo acreditar que eu vou ter que me acostumar viver sem a sua falta de pudor, as suas cicatrizes feias, suas pernas finas demais me chutando forte quando eu dormia ao seu lado, seu jeito fácil de conseguir as coisas, seu carisma, seu brilho negro, seus olhos confusos e um pouco vesgos, suas confissões malucas, seu jeito de andar e o jeito que pulava quando estava feliz, seus momentos tristes e suas lágrimas, os seus abraços e principalmente sem a sua presença. Queria só agradecer a essa menina por ter sido a minha amiga, minha protetora, meu poço de coragem, muitas vezes o meu refúgio e por ser tão, tão especial. O que ela fez por mim não tem preço nenhum, eu sei que ela está bem, sei que ela vai cuidar de mim aonde é que ela esteja, eu sempre vou amar ela mesmo que eu não possa mais sentir o calor da sua pele e o seu sangre escuro correndo em suas veias. Esteja bem Maria, eu sei, você odiava o seu Maria e odiava a nobreza que a sua família Magalhães tinha, seus sonhos e seus piores segredos estão guardados comigo, você nem sequer sentia medo, não é mesmo? Seus olhos brilhavam quando você pensava na possibilidade de conhecer o seu pai biológico e mais um monte dessas coisas. Se cuida Mary Maah, obrigada por ter sido tudo.


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