Compreende?


 Definitivamente esse me parecia o pior ano. Lembrei que me sentia um pouco assim em 2012 mas naquele tempo, eu estava entrando em uma fase, na verdade eu ainda era um pouco inocente e não tinha necessidade de ser tão intensa. 2012 me parecia mesmo o fim do mundo e se o mundo se acabasse naquele ano eu morreria virgem de qualquer vício e sofrimento. Agora, me sinto tão mal como se a dor ecoasse só em mim, como se o mundo se acabasse só para mim, como se eu estivesse dançando no escuro me machucando a cada movimento numa tentativa de ser feliz. Em 2012 talvez fosse um pouco melhor, quando se é inocente, a vida te poupa de algumas dores, porém, quando ela decide tirar a sua inocência, é melhor ser forte porque dói. Olha, dói demais. Mas vamos focar nesse ano, o atual e eu que tanto corri sem direção, hoje caminho lentamente sem esperar muito da vida.
A vida? O que é a vida? Me diz você, meu caro, a vida é assim mesmo, ela pode te destruir em uma noite e na manhã seguinte te surpreender ou pelo ao contrário, pode estar tudo tão azul quanto o céu e de repente ela põe pra foder e quando ela fode contigo, parece o fim do mundo mas não é, é só mais uma dor. Sabe o que eu aprendi? Nenhuma dor é para sempre e isso é o que tem me dado esperanças de que essa tempestade na minha vida um dia acabe. Em 2012, eu me afundava numa depressão sem diagnóstico, hoje eu tento lidar com ela sabendo que ela avança em médio nível e o que mais me assusta agora, é o futuro que está chegando mais rápido do que eu gostaria, estou na boca de um vestibular, à alguns passos para a faculdade e toda essa vida chata de gente adulta. Estou morrendo de vontade de voltar a ser criança, de brincar e de chorar no colo da minha mãe sempre que alguma coisa der errada. Mas é assim mesmo, a gente quer crescer e depois quer voltar no tempo, todo mundo me dizia que ser criança é a melhor coisa e eu boba queria ser adulta, dirigir meu carro, ter a minha casa e comprar as minhas coisas, só não imaginava que para tudo isso, toda essa liberdade, teria um preço enorme: a responsabilidade. Eu era tão inocentemente boba, tão criança, despreparada para tudo e hoje me tornei uma pessoa seca, que tenta controlar as emoções e disciplinar a mente, hoje eu fumo escondida, bebo de vez em quando e respiro fundo para não pirar, ouço rock no meu fone de ouvido e durmo esperando que o dia seguinte seja melhor. Às vezes a vida faz isso com a gente, muda nossos conceitos, nossas escolhas, nossa cabeça e eu espero de coração que você tenha entendido o que eu quis dizer com esse texto.


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