Eu senti a dor na própria pele, eu vi os meus sentimentos escorrerem nos meus pulsos juntos com o meu sangue. Eu corri pra ver se achava um lugar melhor, perdi o folego no caminho, eu me perdi, fechei os olhos e continuei andando pedindo forças à Deus. Se existe um Deus, um Deus que eu creio, que eu me entrego de corpo e fé, que esse Deus, Rei dos reis, Juiz dos juízes, esteja me guiando porque eu estou tão machucada agora. Minhas véstias que antes tão limpas, num tom purissímo de branco agora estão tão sujas, rasgadas. A depressão? Bem, pra alguns ela é uma doença espiritual, pra outros é só um descuido que afeta a população que sente demais nessa sociedade fria. A depressão pra mim é como um mar, um mar profundo no qual eu pulei, no qual estou me afogando mas não posso morrer. A depressão não te mata, ela te incita a você se matar, ela te dá coragem para acabar com a dor, conclusão: a depressão é um mar no qual você se afoga mas não morre, só morre se ceder, se deixar que a maré te leve, se você se entregar de corpo e alma.
Eu senti um vazio, mas ser ôca também dói, faz éco na alma e ecoa tristeza. Me dizem sempre que eu tenho um talento pra escrever, que eu devia investir nisso mas o segredo é que eu só coloco pra fora as sensações do que é ser doente, ser triste e sentir-se um caco o tempo todo. Corri para bem longe mas quando se está preso em algo, isso te persegue. Não importa o quanto você tente fugir, não importa o quanto você corre sem olhar pra trás. Eu tive que sentir dor pra me conformar que eu ainda estava viva, tive que chorar sozinha pra perceber que eu ainda estava sóbria. Não me perguntem de onde vem tanta tristeza, a dor apenas me fez de morada e se instalou em mim enquanto eu me afogo na depressão, enquanto eu ando sem direção. E isso é tudo uma confusão, cara...
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