Estranhamente mal
Algo me sufocava, talvez fosse a culpa e eu implorava por ajuda. Os minutos se passavam tão devagar que eu podia sentir a dor aumentando a cada segundo que eu suspirava e aquilo estava me matando. Eu não queria ver pessoas, não queria falar com ninguém e precisava mais do que nunca, chegar em casa. Cada passo meu, era uma pontada, acho que eu podia até ouvir o barulho que eles faziam porque pra mim, eram estrondosos. Queria correr mas não tinha coragem, queria gritar mas eu não podia e mais do que tudo, eu queria fugir mas não sabia para onde eu poderia ir. Aquilo estava me sufocando, mal tive vontade de abrir o portão da minha casa, eu só queria a minha cama e eu entrei o mais rápido possível, assim, silenciosamente e sem fazer pampeiros. Deitei na minha cama, deitar era um alívio. Eu estava tão indisposta, tão enjoada, tão ridícula e eu tinha vontade de chorar mas não conseguia fazer as lágrimas saírem, talvez eu tenha segurado um pouco também. Mal tinha coragem para trocar de roupa, tirá-la foi um sacrifício e eu fiquei um tempo despida, sozinha e triste deitada na minha cama.
Sentia frio, um frio que me rodeava desde manhã e que fazia até os dedinhos dos meus pés se arrepiarem, mas agora eu estava ali, deitada com o ventilador ligado. Minha pele estava quente, eu sentia frio e calor. O calor vinha de dentro e se revertia em um frio congelante então eu não desliguei o ventilador, só me cobri dos pés à cabeça. Não tinha forças para levantar mas não queria ficar ali, eu estava estranhamente incomodada, mas não com aquilo, acho que eu estava incomodada comigo mesma. O que me restava era dormir, mas o sono não vinha e então fui comer, mas não conseguia sentir o gosto de nada aí me levaram ao médico mas, o que eu poderia ter? Disse à ele "Olha, seu doutor. Eu não sabia que tristeza podia causar tantos sintomas assim, me sinto estranhamente viva e talvez um pouco morta. Eu sinto falta, eu sinto um vazio tomado por um enjoou enorme e eu sinto mais ainda por ser particularmente confusa e estranha. Me diz, o que o senhor receita pra mim?", e acho que nem mesmo ele pôde me passar algo, só me respondeu o que todo médico diz sempre e me mandou ir embora. Mas o que poderiam fazer à mim? Me sentia num completo exorcismo e mesmo assim nada me possuíra, a minha sanidade ainda estava presente e eu passei a tarde toda tentando entender o porquê me sentia assim.
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