02/02
Naquele momento eu me sentia terrivelmente estranha, fora de nexo e lugar. Me sentia feia, terrivelmente gorda e meus olhos tentavam não procurar o espelho, acho que eu não suportaria ver o meu reflexo tão triste. Tinha crises de choro incompreensíveis, temporárias e repentinas e eu simplesmente não entendia, mas sabia que a dor era insuportável dentro de mim. Eu não tinha autoestima, não tinha necessidade de me cuidar e menos vontade ainda de viver. Tudo que eu queria aquela hora, era poder sair de casa e ir para algum lugar. Algum lugar longe de toda a dor. Ou talvez, ficar ali no meu quarto, deitada para sempre, vivendo aquela dor e angústia horrível. Mas eu queria sair, procurar novos ares fugindo de tudo, procurando abrigo nos braços de quem conheço, mas nunca se quer toquei. Eu queria mais do que tudo fumar, tragar aquela fumaça horrível a deixando atingir o meu pulmão mesmo sem poder fazer isso, eu queria também beber, beber qualquer coisa alcoólica que me fizesse bem por um segundo, me drogar com qualquer coisa que fizesse meu inconsciente trabalhar, só pra experimentar e descobrir a sensação ou então, apenas cortar os meus pulsos profundamente, como de costume.
Enfim, deduzi que eu queria me preencher com coisas vazias, coisas que me dariam prazer por um tempo, mas depois me fariam voltar para a minha realidade triste. Estou quase pegando a minha lâmina escondida no meu guarda roupa pra sentir a minha dor indo embora por um instante. Mas como uma droga, depois a sensação boa iria passar e eu estaria submissa novamente a me satisfazer dessa forma mais e mais. Eu estava tão vazia e sozinha, que se gritasse poderia sentir o meu grito ecoando dentro de mim e dentro daquele quarto escuro que eu habitava e estranhamente sentia vontade de acabar com aquela dor, sentia a essência da tristeza me tomando tanto, que eu já era íntima dela. E enfim poderia compreender aquele momento; ninguém é tão triste quanto eu.
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