Agonia


  Eram cinco horas da manhã e eu estava deitada, sem sono e ouvindo pelo fone de ouvido o áudio que eu fiz pra ela e aliás, ela nem respondeu. Minutos foram se passando e eu já podia ver uma pequena claridade na minha janela, eram quase seis horas e eu ouvia Racionais com uma agonia imensa, passava a mão no meu pulso e sentia novas feridas, cicatrizes. Droga, dessa vez foram dezessete cortes e eu me sentia mal por estar tão calor e eu ter que dormir de blusa de frio pra esconder o meu braço. O toque final da música me dava nostalgia e o meu corpo tão desconfortável naquela cama ficava paralisado enquanto eu fechava meus olhos desejando que toda aquela dor fosse embora. Eram dez pra seis da manhã e eu me sentia morta, naquela hora eu só gostaria que as coisas mudassem porque eu não sei viver sem ela mas eu sinto que de qualquer forma muita coisa vai mudar. Eu estou quase destruída, no começo do ano tudo estava tão diferente e agora parece que quase todo mundo que eu tinha foi embora. Me sinto mais sozinha agora do que nunca e eu sou vulnerável demais. Mas deve ser isso mesmo, fim de sofrimento.


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