Alguma nostalgia


    De repente ao andar pela rua, senti um cheiro de roupa molhada. Lavada e cheirosa, pendurada no varal. Fui tomada por uma nostalgia, me levou para um outro mundo me fazendo voltar no tempo. Foi como se eu estivesse vendo a minha infância, me lembrando de quando eu era pequena e do quintal da minha antiga casa. Onde minha memória o remonta muito maior do que ele era e onde minha mãe estendia as  nossas roupas e eu bem que a ajudava, só para passear entre os varais e poder sentir o perfume que elas exalavam. 
    Fazia um bom tempo que eu não pensava no quanto isso já era motivo de grande alegria, assim como os meus domingos, que religiosamente eu sempre acordava pela manhã e lá pelas dez, partia para a casa da minha tia mais velha, para almoçar com a minha família. Quase sempre comíamos macarrão, quase como uma tradição nossa. Depois no restante da tarde, brincava na rua e ansiosa, aguardava a vinda do mesmo senhor que sempre passará com seu carrinho de picolés, para a alegria de todas aquelas crianças suadas. Naquele momento, o pega-pega pedia um tempo, o esconde-esconde cedia espaço à gritaria desenfreada de quem corria até em casa em busca de um mero troco, eu também sempre corria e voltava pedindo pelo meu sabor preferido: chocolate. O senhor até sabia. Era uma baita alegria sentar numa sombra de árvore e mais tarde voltar a brincar. 
    Anoitecendo eu voltava para a casa, tomava um bom banho, jantava e caía na cama. Ah, como os domingos eram ótimos e com esse sentimento ao meu entorno, desejei que pudesse voltar no tempo. Aquela época eu era feliz e inocência me blindava de certos ressentimentos, que nostalgia gostosa senti. Aquele tempo que eu era criança... que saudade.
  
  

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