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Mostrando postagens de fevereiro, 2021

Vale a pena

     O amor vale a pena. Ainda que seja pra você me dizer que não vale, ou até mesmo no dia seguinte, acordar de ressaca com uma dor de cabeça terrível por ter chorado, enquanto torce pra não ter me ligado, conferindo as mensagens pra ver o que me mandou. Vale a pena, porque uma vida sem emoção, não é uma vida e os dias são tão lentos quando não se vive. Entenda, não quero que pense que perecer no sofrimento é a saída, na verdade acho que isso nem é amor consigo mesmo, mas sabe aquela dorzinha? Aquela que bate quando estamos com saudade ou sentimos que estamos perdendo alguém? Não tenha medo de senti-la, assim como você não tem medo quando sente borboletas no estômago, no inicio da paixão. A vida precisa ser sentida e tive essa reflexão aos dezesseis anos, quando triste perguntei a minha mãe, por quanto tempo o meu peito iria doer e ela me olhou nos olhos, arrumou o meu cabelo e disse que é melhor um coração partido do que viver uma vida sem amor. Fiz dessas palavras o me...

Inferência é uma palavra que descobri esta semana, acredita?

    Algum dia eu fui feliz, mas não consigo me lembrar agora. É que a gente tem essa mania boba de lembrar mais do que nos faz tristes, do que das partes boas. Algum dia eu ri até perder o ar e doer a barriga, meus olhos lacrimejaram mas foi de felicidade e a barriga vibrou mas foi de amor. Agora, neste chão da sala, debruço-me em lágrimas que quase gritam por aqui, ecoando a minha dor e o choro é como de criança com o joelho ralado, que prevê descanso até cicatrizar por um tempo. Assim estou. Como quem sabe que coração machucado, demora pra cicatrizar e que pior do que isso, é a ferida que todo mundo insiste em tocar, quando te perguntam o que foi que aconteceu. Este choro é maior do que já chorei em qualquer uma de nossas desavenças, acho que entendo o porquê e isso me dá um certo medo. Mas algum dia eu sorri despreocupada, lá no colchão da sua casa, vendo você fazer alguma graça pra me encantar... sem saber que eu já estava encantada. Alguns dias voltei pra casa pensando em...

Daquela maresia que ainda salga a boca

     Ainda ouço a sua voz dizendo palavras doces, mesmo que minhas recordações me tragam você pronunciando-as tão tímida e no espelho, de vez em quando, em meu reflexo eu te encontro quando me olho. Nossos traços, nossa vida e nossa ancestralidade, como um dia você escreveu para mim naquela carta. Então eu olho em volta, me perco no tempo, vem quase como uma rasteira que me arrebata e eu consigo até sentir o cheiro. Lembro dos nossos encontros, por vezes naquela estação fria, o que fazia com que nos enchêssemos de casacos, quando nossos corpos pulsavam juntos e queríamos que eles se esquentassem de outra maneira. Implorávamos para esse ensejo. Hoje sei que tudo isso ficou para trás e que não há mais nada a ser feito. Respiro ainda que um pouco tranquila, mas me atormenta a ideia de que tenha más recordações de mim. O tempo que passou e aquela torneira do seu banheiro, que prometi consertar, ficou pra lá, porque me irritava a forma como ela molhava o chão inteiro quando eu...